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domingo, 9 de agosto de 2015

Pensamentos Sobre Juros Compostos e Aportes

Olá pessoal.

Sempre vi o Bastter falar sobre a importância dos aportes e como a pessoa tem que se preocupar em melhorar no emprego, passar a ganhar mais para aportar mais, ao invés de ficar se matando para conseguir rendimentos acima da média. Ele repete bastante isso (e pode ser visto no vídeo anexo).


Isto me fez refletir sobre juros compostos. Todo mundo da blogosfera financeira fala sobre isso, acho que chegou minha vez.


Juros Compostos


Todos conhecem os juros compostos. São os famosos "juros sobre juros", o "bolo que vai crescendo", o "milagre financeiro". São a principal esperança do poupador, mas também um negócio extremamente rentável para quem empresta dinheiro ou vende cobrando juros.

Geralmente o cidadão comum os usa contra si. Todo mundo paga (já pagou ou pagará) juros a alguma instituição financeira. É aquele financiamento que cresce com o tempo, que você paga e nunca acaba. É aquele apartamento que você pagou 40% a mais quando foi financiar. São aquelas 18 prestações das Casas Bahia que fizeram com que seu produto custe muito mais caro (você saberia se somasse as prestações, coisa que muita gente não faz).

O fato é que juros compostos são uma força incrível de fazer riqueza. Einstein já disse que "os juros compostos são a força mais poderosa do universo" (clique aqui), e quem sou eu para discordar dele. Então a atitude mais sensata é parar de fazer financiamentos e começar a usar seu poder a seu favor, ou seja, investindo.

Funciona assim:
Capital Futuro = Capital Inicial * (1 + Taxa de Juros)Período

Pode ser notado que a quantidade de períodos influencia a conta exponencialmente. Isso faz com que o tempo (dias, meses, anos, etc, de acordo com o período escolhido para a taxa de juros) seja cada vez mais importante e, quanto maior, mais os "juros sobre juros" fazem efeito. 


Aportes


Seus aportes também contam na escalada do montante. Entram no bolo que cresce ao sabor dos juros e do tempo de investimento. É disso que o Bastter fala quando diz para caprichar nos aportes. O aporte funciona assim:

Capital Futuro Aporte = Aporte * [(1 + Taxa de Juros)Período - 1] / Taxa de Juros

Esse valor se soma ao capital que vem crescendo e forma um montante futuro.

Montante Futuro = Capital Futuro + Capital Futuro Aporte

Usando esta fórmula e o cenário sugerido pelo Bastter, comecei a brincar com o Excel. Se não quiser montar sua planilha, tem uma aqui neste endereço (clique aqui).


Resultados


Fiz alguns testes para ver como os montantes se comportam com o tempo. Procurei ver o que aconteceria quando comparo "juros de poupança + aporte maior" e "juros maiores + aporte menor". Não considerei inflação na conta. Fiz as seguintes comparações:
  • Capital Inicial = R$ 30000, sem aporte mensal, juros de poupança (0,71%);
  • Capital Inicial = R$ 30000, aporte mensal R$ 2500, juros de poupança (0,71%);
  • Capital Inicial = R$ 30000, aporte mensal R$ 2500, juros maior (1,2%);
  • Capital Inicial = R$ 30000, aporte mensal R$ 5000, juros de poupança (0,71%).
O resultado foi o seguinte:


Em uma forma gráfica ficou assim:

Coloquei no gráfico somente até os 240 meses, pois os valores começam a ficar muito altos entre 20 e 30 anos e dificultam visualizar o período de 0 a 20 anos (que é de interesse mais comum).


Conclusões  


No gráfico pode ser visto o comportamento exponencial. Com o passar do tempo, mais dinheiro vai sendo gerado pelos juros e então o capital dispara. É mais outro ponto que Bastter adora falar. Pode ser visto nos dados da última coluna da planilha que o capital que em 10 anos está em 790 mil e em 20 anos está em 3,9 milhões se multiplica para mais de 17 milhões em 30 anos.

Quanto mais tempo de investimento, mais retorno devido aos juros compostos. Caso você ainda não tenha começado a investir, comece urgentemente. Se você tivesse começado a investir um pedaço do seu salário logo que começou a ter renda, imagine quanto teria agora.

A curva sem aportes quase não anda. É sempre importante acelerar o crescimento do montante com aportes regulares. É isso que eu faço.

Outra coisa que pode ser notada é que as curvas de "Aporte R$ 5000 e juros 0,71%" e "Aporte R$ 2500 e juros 1,2%" se cruzam depois de 15 anos. Depois disso a curva com aporte menor e juros maiores sobe bem mais forte. Não acho que invalide o ponto de vista do Bastter, pois se esforçar para evoluir na fonte de renda e conseguir aumentar os aportes é mais fácil do que consistentemente conseguir juros altos. Mas mostra o óbvio, que conseguir os juros bons é algo importante e deve ser almejado. 

O valor do aporte faz diferença. Tente minimizar seus gastos para sobrar mais dinheiro e conseguir investir mais. "Pague-se primeiro", ou seja, coloque o seu futuro como um dos seus primeiros credores todo mês.

É relevante também o fato que não considerei possíveis rendimentos menores (ou negativos) na busca pelos juros altos. Isso costuma atrapalhar o caminho de quem busca investimentos mais arriscados, que geralmente são os que rendem mais.

Tente aportar o maior valor que conseguir e busque a maior taxa de retorno possível. Este é o melhor cenário. Se não quiser arriscar muito, saiba que só no aporte você consegue chegar lá.

Você usa os juros compostos a seu favor ou contra você?